"Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo... " Fernando Pessoa

16
Nov 07



Nesta manhã de Outono tudo parece estar igual. O frio apressa as pessoas, as últimas folhas soltam-se e voam ao sabor do vento, a natureza despe-se e começa a mudança. Todos os anos acontece esta mesma mudança, esta renovação. Mas todos os anos, vendo esta paisagem que evolui a cada dia, vejo que há alguma coisa em mim que não sofreu mutações. O profundo desejo de partir, algures, num dia em nada especial, para destino desconhecido. É esta sensação de que não pertenço a lado nenhum que me empurra para o desejo incessante de partir. Não percebo este mundo, estas regras, e muito menos estas pessoas. Mas percebo-me a mim. Conheço-me tão bem. Acho que sou a única coisa que conheço, sem medo de o admitir, sem “portas secretas”. E tenho a perfeita noção de quão egoísta isso me torna, já que tenho tendência de falar mais sobre o que conheço, sobre o que sou verdadeiramente especialista. Dai que o mundo que me rodeia estar farto da minha presença, já que não me compreende. É justo. Sinto-me sempre a “estranha”, a “intrusa” … Sinto que estou a mais, completamente. Que sou invisível, dispensável. Como tal, cresce em mim a certeza de que se desaparecesse a qualquer momento quase ninguém notaria. Sim, eu sei. Sou um ser complexo. E talvez esteja completamente enganada quanto a isto tudo. Mas é o que me vai no pensamento, constantemente. Num destes dias, num arrojado ganho de coragem, parto, sem olhar para trás, com a mente totalmente limpa, isenta de vidas e fantasmas passados. Irei, passo a passo, palmilhar o meu caminho como alma solitária e como pessoa racional…mas desta vez só levemente racional. Porque este “vício” de pensar não me deixará nunca, estou certa. Por isso, para todos aqueles que gostam de mim, mesmo que só um pouco, adeus. Despeço-me de vocês, porque a coragem e os meus pés podem despertar a qualquer hora… E nesse instante, estarei para sempre perdida por entre os trilhos que terei pela frente, e estarei eternamente só. Contudo, e apesar de nessa altura estar já isenta de vidas passadas, recordar-me-ei de vocês. Porque no meu mundo, e se forem verdadeiramente especiais, estarão lá. Pois não há nada mais valioso que as boas lembranças, composta sempre de bons sorrisos, generosos olhares, fieis amigos e grandes lições. Espero habitar a vossa memória por muito e muito tempo, porque o que mais vos desejo é uma vida longa, recheada do que de melhor ela transporta. Adeus, recantos da minha vila, adeus meus amigos inesquecíveis, adeus meus parentes e adeus réstias de inocência. Olá Mundo Novo!


 


 


 

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 20:47
música: Onde ir - Vanessa da Mata

comentário:
Quando pertires não olhes para trás... Leva na lembrança quem amas-te, quem amas... Parte com a alma completamente aberta para novas experiências e pessoas... Eu nunca te esquecerei e quem sabe um dia nas nossas deambulações ainda nos vamos encontrar...
Adoro te
Beijinhos
Ana Lúcia a 1 de Dezembro de 2007 às 12:32

Novembro 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
17

18
19
20
21
22
23

25
26
27
28
29


mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

5 seguidores

pesquisar neste blog
 
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Twitter
As minhas Imagens favoritas
blogs SAPO