"Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo... " Fernando Pessoa

18
Jun 08

 

Que fazer quando não há mais para onde olhar? Quando a nossa vida não sai do mesmo sítio?

Eu, aquela menina que quando era pequenina andava sempre de sorriso estampado na cara, que proclamava aos sete ventos que queria ser veterinária, jornalista, cantora, bailarina, no fundo aventureira, é hoje isto. Não sabe o que fazer, não como e por onde avançar. Não sabe o que é amar e ser amada. Não sabe como sair desta teia de dramatismo, de sentimentalismo barato e repetitivo. Nem sabe mais o que é e se alguma vez soube o que sempre teve como coisa mais importante na sua vida: a amizade...

O que fazer se tem 20 anos e se sente a pessoa mais inútil à face da terra?

Sinceramente, não sei mais o que fazer. Apetecia-me desistir. De vez. E deixava de andar aqui às rodas sempre com a mesma coisa nesta existência inútil. Não sei mais o que heide fazer. Tudo na minha vida são cenas recorrentes de uma peça de teatro chata e interminável. E dolorosa. Dou demasiado valor aos amigos. Pois bem, até hoje, a grande maioria deles desistiu de mim e dos meus traumas. Quantas vezes fui abandonada? Eu sei lá... Não sou “fixe” o suficiente. Sou chata, com os meus dramas, o quanto baste. Sinto que os meus “amigos” têm vergonha de me chamar como tal. Para dizer a verdade, eu sei que não me consideram como tal. E por isso “fogem” da minha beira, para andar com a “maltinha fixe”. E eu já dei, e continuo a dar tantas “oportunidades” a esses “amigos”. E eles continuam a fazer uma cara de constrangimento e a dizer, por outras palavras, “não, não quero ser teu amigo. Deixa-me em paz, sua chata que já não te posso ver à frente”. E eu humilho-me. É o medo de ficar só. Mas estas minhas crises, em que na verdade venho à tona, vejo a realidade tal como ela é, vejo que já estou só. Sinto que se agora disser “vou-me atirar desta janela”, não vai haver ninguém que diga “não vás. Gosto de ti, fica aqui comigo. Dar-te-ei o meu ombro para que chores, e ajudar-te-ei a ultrapassar tudo. Não tenhas medo. Nunca te abandonarei”. Já não acredito em nada nem ninguém... Estou só. E se chorar todas as noites, ninguém saberá. E não, não é porque não conto. Sou tão burra, ingénua, estúpida, que quando me perguntam (seja quem for) “estás bem?” eu “despejo tudo”. Talvez queira ter um bocadinho da atenção das pessoas, e quando me abrem uma pequena porta, eu escancaro essa porta, e instalo-me, eu e todos os meus dramas. Mas já quase ninguém pergunta. Eles já sabem como sou. A chata. Quem quer aturar uma chata repetitiva?

Sinto-me sem saídas. Sinto que a única solução é exactamente a única que não tenho coragem de seguir. Sou muito medrosa, muito fraca, até para isso.

Talvez um dia ganhe coragem... E acabou. Finalmente acabará.

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 02:06
música: Colors - Amos Lee ft. Norah Jones

Li este texto e não me senti sozinha no mundo.
Identifiquei-me em muitas das tuas palavras: também eu me sinto abandonada muitas vezes e como sou uma pessoa de boa índole dou sempre segundas, terceiras (...) centésimas oportunidades a quem não merece.
Vamos acreditar que o futuro nos reserva o encontro com pessoas que realmente nos compreenderão ou que quem nos perdeu nos queira verdadeiramente ganhar.

Doi chorar à noite e ninguém saber, mas ao mesmo tempo, fortalece-nos no dia seguinte. Podemos estar sozinhos, mas não vivemos perto de falsidades. ;)

*
TheFlyingDutchGirl a 7 de Julho de 2008 às 00:15

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