"Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo... " Fernando Pessoa

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Jun 08

 

Que fazer quando não há mais para onde olhar? Quando a nossa vida não sai do mesmo sítio?

Eu, aquela menina que quando era pequenina andava sempre de sorriso estampado na cara, que proclamava aos sete ventos que queria ser veterinária, jornalista, cantora, bailarina, no fundo aventureira, é hoje isto. Não sabe o que fazer, não como e por onde avançar. Não sabe o que é amar e ser amada. Não sabe como sair desta teia de dramatismo, de sentimentalismo barato e repetitivo. Nem sabe mais o que é e se alguma vez soube o que sempre teve como coisa mais importante na sua vida: a amizade...

O que fazer se tem 20 anos e se sente a pessoa mais inútil à face da terra?

Sinceramente, não sei mais o que fazer. Apetecia-me desistir. De vez. E deixava de andar aqui às rodas sempre com a mesma coisa nesta existência inútil. Não sei mais o que heide fazer. Tudo na minha vida são cenas recorrentes de uma peça de teatro chata e interminável. E dolorosa. Dou demasiado valor aos amigos. Pois bem, até hoje, a grande maioria deles desistiu de mim e dos meus traumas. Quantas vezes fui abandonada? Eu sei lá... Não sou “fixe” o suficiente. Sou chata, com os meus dramas, o quanto baste. Sinto que os meus “amigos” têm vergonha de me chamar como tal. Para dizer a verdade, eu sei que não me consideram como tal. E por isso “fogem” da minha beira, para andar com a “maltinha fixe”. E eu já dei, e continuo a dar tantas “oportunidades” a esses “amigos”. E eles continuam a fazer uma cara de constrangimento e a dizer, por outras palavras, “não, não quero ser teu amigo. Deixa-me em paz, sua chata que já não te posso ver à frente”. E eu humilho-me. É o medo de ficar só. Mas estas minhas crises, em que na verdade venho à tona, vejo a realidade tal como ela é, vejo que já estou só. Sinto que se agora disser “vou-me atirar desta janela”, não vai haver ninguém que diga “não vás. Gosto de ti, fica aqui comigo. Dar-te-ei o meu ombro para que chores, e ajudar-te-ei a ultrapassar tudo. Não tenhas medo. Nunca te abandonarei”. Já não acredito em nada nem ninguém... Estou só. E se chorar todas as noites, ninguém saberá. E não, não é porque não conto. Sou tão burra, ingénua, estúpida, que quando me perguntam (seja quem for) “estás bem?” eu “despejo tudo”. Talvez queira ter um bocadinho da atenção das pessoas, e quando me abrem uma pequena porta, eu escancaro essa porta, e instalo-me, eu e todos os meus dramas. Mas já quase ninguém pergunta. Eles já sabem como sou. A chata. Quem quer aturar uma chata repetitiva?

Sinto-me sem saídas. Sinto que a única solução é exactamente a única que não tenho coragem de seguir. Sou muito medrosa, muito fraca, até para isso.

Talvez um dia ganhe coragem... E acabou. Finalmente acabará.

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 02:06
música: Colors - Amos Lee ft. Norah Jones

8 comentários:
e so mais uma coisa, desculpa estar aqui a maçar...
tive a ler um comentario de uma das tuas estrelas e ela tem razao em dizer para tentares mudar e aprenderes a acreditar que nem toda a gente t odeia, mas ela esqueceu-se de mencionar que é atraves dos outros e a força que eles nos dao que nos ajuda a mudar por isso ela que tambem aprenda a ser tua amiga todos os dias e e nao so nas suas horas vagas...
olha isa tu tens as amigas que escolhes-t agora se algumas delas querem mudar de rumo, deixa-as ir...
desculpa a invasao na tua vida... mas ha certas coisas que nao se devem deixar de dizer... sao opinioes e ha que critica-las ou aceita-las.
rita
Anónimo a 4 de Setembro de 2008 às 03:21

Rita, acredita quando te digo: tu nunca foste sequer uma personagem secundária. Desde que te conheci que te considero uma personagem principal da minha vida. Sempre te dei ouvidos, e sempre te considerei minha amiga. Aliás, tu e a Fifinha sempre foram as pessoas que mais admirei, e que sempre tive orgulho de chamar de amigas.
A verdade é que às vezes me afastei. Pelas razões erradas muitas vezes, sim. Uma das razões pela qual senti que estavamos mais distantes foi por causa de tdo o que aconteceu à volta da Fifinha e do namoro dela com o Pedro. Mas nunca, nem por um segundo, te considerei alguém secundário na minha vida. Por nos termos afastado não quer dizer que não te dou valor como amiga. Sempre dei, e semprei ouvi os teus conselhos, e sempre os tive em conta.
Quanto a quem achas que são personagens principais na minha vida, deixa-me te dizer que leste o que escrevi de forma errada, totalmente ao contrário. Essas pessoas que pensas serem as personagens principais são na verdade as secundárias, as que agora caem facilmente no esquecimento. É verdade, e admito que em tempos foram sim personagens principais. Sofri muito pela rejeicção, e por me levarem a pensar que a culpa de se afastarem de mim, de me deixarem para trás, de eu própria ser considerada uma personagem secundária, era minha. Hoje, depois de ter sofrido muito, porque nunca lidei bem com a rejeicção, sei que a culpa não foi minha. Nunca foi. Elas fizeram uma opção, que não me incluia a mim. Mas eu não tenho culpa disso. Como tal, agora são sim personagens secundárias e, para te ser sincera, já pouco representam para mim. A muito custa, mas aprendi, que devemos sempre dar importância a quem nos dá a nós. Amigos são aqueles que, aconteça o que acontecer, estaão sempre lá. Mesmo que mais distantes. Aqueles que nos rodeam não são necessáriamente os melhores amigos. Eu, depos de tudo o que aconteceu sei que devo acompanhar aqueles que me acompanham a mim, não aqueles que, quando desapareço, quando me isolam, me abandonam porque não estive com eles naquele momento. Os verdadeiros amigos, preocuparam-se comigo. Enviaram-me mensagens, telefonaram-me a perguntar o que se passava comigo. Na altura não dei muito valor a isso, admito, porque estava obcecada pela rejeição, triste, deprimida demais por causa de pessoas que quando precisei delas pura e simplesmente me abandonaram.

Quero que saibas que quando digo que gosto muito de ti, estou a ser sincera. Considero-te uma grande amiga desde o ínicio, desde sempre. E não foi o facto de termo-nos afastado que mudou isso. Não, nunca. Sempre soube e sei que posso contar contigo sempre. E apesar de muitas vezes não teres estado por perto nem eu ter estado por perto de ti, sempre foste e serás personagem principal na minha vida. Porque apesar de ser um bocado burra às vezes, sei quem são os meus amigos. Posso ter andado confusa, mas houve um leque restrito de pessoas que sempre soube que eram meus amigos: tu e a Fifinha. Sempre soube.
Por favor não penses que não dou valor à tua amizade, porque eu dou e muita! Quero-te sempre a meu lado, mesmo que não estejas por perto. Estarás sempre no meu coração, serás sempre minha amiga. E eu serei sempre tua amiga. Espero que saibas que poderás sempre contar comigo. Sempre. É que nem sequer hesites se. Terás sempre uma amiga aqui, sempre que precisares.
Desculpa se alguma vez te desiludi. Eu sei que em algum momento te desiludi. Eu percebi. E isso é prova que sempre estive atenta e sempre me importei contigo e com a tua amizade. Só que no momento (que foi quando tudo aquilo aconteceu entre o pessoal e a Fifinha) não sabia como me aproximar, como tentar saber o que se passava.

Gosto muito, mas mesmo muito de ti. Nunca te esqueças. Eu nunca me esquecerei de ti. Nunca. És alguém especial de mais para ser esquecida, ainda para mais para alguém que acolheste como amiga. Só queria que te apercebesses disso.

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