"Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo... " Fernando Pessoa

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Out 08

Foto de Ana Catarina Rodrigues

 

Caminhando pela rua, nestes primeiros dias de Outono, parece que tudo morre à nossa volta, pois tudo parece triste, inerte...

Mas, na verdade o Outono não é sinónimo de morte. O ciclo não morre aquando da sua chegada. Esta é, na verdade, fase de mudança.

É incrivel como a vida imita a natureza...

- A infância é a primavera. É o inicio onde, aos poucos, a natureza vai acordando, despontando docemente. E tantas coisas novas aparecem, florescem. Parece tudo tão mágico. É a estação da felicidade. Até os animais parecem incrivelmente felizes, livres. Tudo não passa de uma inocente e alegre brincadeira de criança.

- A adolescência é o verão. O calor começa a apertar, e as sensações e sentimentos estão mais que nunca à flor da pele. É tempo de viver a vida, e encara-la de frente. Mas ai aparecem as primeiras dúvidas, as primeiras tragédias. A seca instala-se, intermitente, entre este acontecimento ou outro. A dura realidade se esconde atrás da crescente maturidade. Descobrimos que o calor pode ser libertador, mas ao mesmo tempo tão sufocante...mortal...

- A idade adulta é o Outono. No rescaldo de uma adolescência/ verão alucinante, onde experimentamos um bocado de tudo, mas onde, regra geral, os sabores amargos são mais fortes e mais marcantes do que doces, dá-se a mudança. Sentimos necessidade do frio, que nos obriga a procurar um lugar quente. Sentimos necessidade do silêncio para ouvirmos os primeiros chuviscos, e com eles refelctimos as grandes dúvidas existenciais. Estabelecemos objectivos, moldamos a personalidade. E percebemos que a vida não é assim tão solarenga quanto pensavamos...

- E, depois de uma longa jornada, bastante cansativa, chega a velhice que é o nosso inverno. Qualquer pequeno acto pode nos atirar para a cama. Somos bem mais cauteloso. Mas não é somente pelo medo da morte inesperada. É também pela experiência de outras estações. O saudosismo marca cada dia que passa lentamente, sem grandes novidades. E a saudade agarra-se como nunca à primavera. Tão próxima, mas tão distante. E, apesar de tanto tempo decorrido, lembramo-nos tão bem das principais risadas de criança que demos, das grandes loucuras de adolescente que levamos a cabo...e dos grandes amores que vivemos como adultos...

A natureza é sábia. E a vida também. E por isso mesmo, aproveito cada licção para me tornar melhor amanhã.

Há que viver cada estação, cada momento de mente aberta. Absorver cada palavra, observar bem os actos, mas, sobretudo, aprender com os erros. Só assim daremos valor à nossa vida, que por pior que seja é única. E nós, como protagonistas, só lhe temos de dar a melhor história que nos seja possivel.

P.S.: Um agradecimento especial a uma amiga muito especial e única, por me inspirar e por me dar motivos de orgulho e de alegria quando tudo o resto mos rouba. Adoro-te!

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 22:54
música: What can I say? - Brandie Carlie

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