"Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo... " Fernando Pessoa

31
Out 08

Foto de Jeff Singer

"E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência de alma consigo mesma, como uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende. Atento a tudo sonhando sempre; (...)"

Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 02:19

29
Out 08

Foto de Natasha Lyonne

Perdi-me na noite, na escurdião que me corroi. Olhei à volta e só vi aqueles que me abandonam constantemente, aqueles para o qual não sou nada.

Senti-me um menos, senti-me perdida. Pensei que era, realmente, aquilo que os outros me faziam.

Não chorei. Não verti uma única lágrima. Apenas tudo em mim se fechou, como uma flôr que murcha de tristeza. Tal como ela, senti a dor de perder a vida. Senti cada suspiro, como se fosse o último.

Mas...era eu assim tão fraca? Uma marioneta nas mãs alheias à minha dor?

...

Parei. Olhei-me a um espelho. E vi. Olhei no fundo do meu ser e vi que ainda há vida dentro de mim. Continuo viva, miraculosamente.

Sorri. Não por estar viva, mas, sarcásticamente, por ter deixado que eles, aqueles pobres seres, tomassem controlo sobre mim. Eu, aquela idealista sonhadora que tinha mil e um planos. Aquela que, agora, deixou de sonhar. A vida, sempre ela, tão irónica... E eu tão manipulada. Como? Como me deixei ser roubada assim de mim?

Mas, quem és tu, ser menor, ser mesquinho, para me trair assim? Sim, trais-te a minha amizade, ao revertê-la em submissão.

Libertei-me das amarras do esquecimento. Sim, esquecida... Fiquei esquecida a um canto como um briquendo ocasional num quarto desarrumado de um menino mimado. Mas libertei-me. E desapareci. Desapareci como era, como fiquei conhecida, como me tornaram.

Mas que leve é ser livre. Como é bom ser eu outra vez.

Passas agora por mim de cara fechada. Perdes-te o teu brinquedo. Mas, porquê tanto aborrecimento? Nem eu era assim tão importante, nem tu tão bom no que fazes, afinal...

...

Eu tenho sonhos. Eu tenho amigos. Eu tenho um brilho no olhar. Porque hoje, depois de tanto tempo, sou EU, e não apenas a tua "amiga ocasional", ou melhor, o teu "brinquedo ocasional".

E tu, o que tens? Não quero saber. Para mim hoje és um grande nada, e eu sou tudo. E eu incluo em mim todos aqueles que nunca me deixaram só. Aqueles que me ouviram por horas e horas, porque tu me apunhalavas com a tua indiferênça e aproveitavas para o fazer da forma mais dolorosa possível.

Já não és importante. Já não és nada. Doi não ser nada, não doi?

Pois...eu já não sei o que é ser isso.

...

Trago em mim todos os sonhos, todos aqueles que me fazem feliz. Sempre estiveram comigo, somente não os consegui ver nem sentir.

Inicia-se agora o grande projecto da minha vida. E preciso de força vontade. Mas eu vou conseguir. Eu sei que vou. Já fui fraca e frágil durante muito tempo. Está na hora de ser forte, decidida... Está na hora de ser quem eu quero ser e fazer o que eu quero fazer.

Vai ser uma longa jornada. E posso até não estar totalmente motivada. Mas eu sei que depois de tudo, a minha vida só pode melhorar. E eu sou a única que posso conseguir isso.

...

Peço desculpa, mas a "amiga ocasional" foi de férias...vitalicias! Deixem mensagem. Pode ser que vos responda, deixa cá ver...NUNCA!! hehehehehehe E já agora, esta será a última vez que vocês, que me fizeram tanto mal, serão mencionados. Já não há espaço para lixo na minha vida...

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 00:24
sinto-me: Viva!!!!!!
música: Irreplaceable - Beyoncé

19
Out 08

 

Ainda me lembro das canções de embalar que me cantaram aquando criança. Mas cresci, e a certa altura, pelo caminho, adormeci...e nunca mais acordei.

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 21:10

18
Out 08

 

"But I'm a creep, I'm a weirdo, what the hell I'm doing here? I don't belong here..."

 

Dying inside...I guess that I always was, but, now is differente. Is this the final stage? 'Causa I'm totaly adapted to the idea. Who cares? A "creep" less on the world...

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 02:16

12
Out 08

Foto de Ana Catarina Rodrigues

 

Caminhando pela rua, nestes primeiros dias de Outono, parece que tudo morre à nossa volta, pois tudo parece triste, inerte...

Mas, na verdade o Outono não é sinónimo de morte. O ciclo não morre aquando da sua chegada. Esta é, na verdade, fase de mudança.

É incrivel como a vida imita a natureza...

- A infância é a primavera. É o inicio onde, aos poucos, a natureza vai acordando, despontando docemente. E tantas coisas novas aparecem, florescem. Parece tudo tão mágico. É a estação da felicidade. Até os animais parecem incrivelmente felizes, livres. Tudo não passa de uma inocente e alegre brincadeira de criança.

- A adolescência é o verão. O calor começa a apertar, e as sensações e sentimentos estão mais que nunca à flor da pele. É tempo de viver a vida, e encara-la de frente. Mas ai aparecem as primeiras dúvidas, as primeiras tragédias. A seca instala-se, intermitente, entre este acontecimento ou outro. A dura realidade se esconde atrás da crescente maturidade. Descobrimos que o calor pode ser libertador, mas ao mesmo tempo tão sufocante...mortal...

- A idade adulta é o Outono. No rescaldo de uma adolescência/ verão alucinante, onde experimentamos um bocado de tudo, mas onde, regra geral, os sabores amargos são mais fortes e mais marcantes do que doces, dá-se a mudança. Sentimos necessidade do frio, que nos obriga a procurar um lugar quente. Sentimos necessidade do silêncio para ouvirmos os primeiros chuviscos, e com eles refelctimos as grandes dúvidas existenciais. Estabelecemos objectivos, moldamos a personalidade. E percebemos que a vida não é assim tão solarenga quanto pensavamos...

- E, depois de uma longa jornada, bastante cansativa, chega a velhice que é o nosso inverno. Qualquer pequeno acto pode nos atirar para a cama. Somos bem mais cauteloso. Mas não é somente pelo medo da morte inesperada. É também pela experiência de outras estações. O saudosismo marca cada dia que passa lentamente, sem grandes novidades. E a saudade agarra-se como nunca à primavera. Tão próxima, mas tão distante. E, apesar de tanto tempo decorrido, lembramo-nos tão bem das principais risadas de criança que demos, das grandes loucuras de adolescente que levamos a cabo...e dos grandes amores que vivemos como adultos...

A natureza é sábia. E a vida também. E por isso mesmo, aproveito cada licção para me tornar melhor amanhã.

Há que viver cada estação, cada momento de mente aberta. Absorver cada palavra, observar bem os actos, mas, sobretudo, aprender com os erros. Só assim daremos valor à nossa vida, que por pior que seja é única. E nós, como protagonistas, só lhe temos de dar a melhor história que nos seja possivel.

P.S.: Um agradecimento especial a uma amiga muito especial e única, por me inspirar e por me dar motivos de orgulho e de alegria quando tudo o resto mos rouba. Adoro-te!

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 22:54
música: What can I say? - Brandie Carlie

09
Out 08

Foto de Teresa M.

Sozinho. É indespensável aprender a pensar, caminhar, sorrir, cantar, dançar...viver sozinho!... aquando precisarmos da solidão e ela presice de nós.

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Porque...só é abandonado quem já se abandonou a si próprio.

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Respiro. Penso. Idealizo. Sonho. Ainda há vida dentro de mim.

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 01:57

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