"Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo... " Fernando Pessoa

28
Out 09

 

Nas manhãs de nevoeiro saio pela cidade vazia, em busca de não sei bem o quê. São os meus pés que me guiam, sem destino, impulsionados por uma força misteriosa.

Vou em silêncio, porque as palavras já as gastei no quotidiano mundo sem brilho. E é assim, em silêncio que tudo vem até à minha mente, sem pedir. Vêm as lembranças, os desejos, os olhares, os sentimentos e até as palavras. Palavras... Sim, o mais fácil é soltá-las ao mundo, e deixá-las fluir. Por ser tão fácil, os sábios chamaram-lhe de ritual vulgar, esse tal falar. E aí o silêncio teve o seu mérito reconhecido. A palavra é prata, o silêncio é ouro, como alguém algures disse.

No ouro da manhã de orvalho, deixei-me ir. Podia jurar que se fechasse os olhos, iria ter onde o meu coração clama por estar, e sei agora que ele é a força impulsionadora dos meus pés.

Viajei por muitos kilómetros, palmilhei a terra dos Homens e os recantos dos Deuses esquecidos. Depois de passar a barreira do silêncio, veio o som do Mundo. Ouvi sons de tristeza, agonia, de pesar, de alegria, de amor. E depois o silêncio novamente.

Viajei pelas estações, senti o renovar da vida pela Primavera, o calor do Sol no Verão, o reciclar das árvores no Outono e o frio sábio do Inverno.

Vi muitos olhares perdidos, senti a indiferença das grandes cidades, saboriei o elitismo do conhecimento. E os sorrisos... Tantos sorrisos. Uns verdadeiros, sinceros. Outros sorrisos fruto do cansaço, e outros do conformismo daqueles que deixam a vida passarem por si sem se agarrarem a ela.

Parei no sítio onde desejava estar naquele momento. Que sítio era esse?

 

Bom...

 

Quem tem imaginação pode ir a qualquer lado. Solta essas amarras e deixa-te fluir. Sente o vento que te bate nas costas, como que a empurrar-te para essa longa viagem. Solta os teus sonhos mais selvagens e impossíveis. Aí, depois de viajares por esses mundos tão variados e coloridos que são fruto da tua imaginação e que residem no teu desejo, volta a ti.

Quando abrires os olhos já saberás o caminho a tomar. Segue sem medo, pois pelo caminho haverá sempre pessoas especiais. E o maior prémio estará perdido num desses atalhos da vida. Um grande amor, um grande sonho ou simplesmente a felicidade no conceito que inventas-te para ti.

 

Simplesmente vai. Já vejo as asas inquietas à espera do próximo vôo. Vai, deixa-te levar.

Eu acredito em ti.

 

 

 

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 19:47
sinto-me:
música: Damien Rice - Amie

27
Out 09

 

        "É preciso correr riscos, dizia ele. Só percebemos realmente o milagre da vida quando deixamos que o inesperado aconteça.

         Deus dá-nos todos os dias - junto com o sol - um momento em que é possível mudar tudo o que nos deixa infelizes. Todos os dias procuramos fingir que não percebemos esse momento, que ele não existe, que hoje é igual a ontem e será igual ao amanhã. Mas, quem presta atenção ao seu dia, descobre o instante mágico. Ele pode estar escondido na altura em que enfiamos a chave na porta, pela manhã, no instante de silêncio logo após o jantar, nas mil e uma coisas que nos parecem iguais. Mas esse momento existe - um momento onde toda a força das estrelas passa por nós, e nos permite fazer milagres.

          Às vezes, a felicidade é uma benção - mas geralmente é uma conquista. O instante mágico do dia ajuda-nos a mudar, faz-nos ir em busca dos nossos sonhos. Vamos sofrer, vamos ter momentos difíceis, vamos enfrentar muitas desilusões. Mas tudo isso é passageiro e não deixa marcas. E, no futuro, poderemos olhar para trás com orgulho e fé.

          Mas pobre de quem teve medo de correr riscos. Porque esse talvez não se decepcione nunca, nem tenha desilusões, nem sofra como aqueles que têm um sonho a seguir. Mas quando olhar para trás - porque olhamos sempre para trás - vai ouvir o seu coração dizer: «O que fizeste com os milagres que Deus semeou nos teus dias? O que fizeste com os talentos que o teu Mestre te confiou? Enterraste-os bem fundo numa cova, porque tinhas medo de perdê-los. Então, esta é a tua herança: a certeza que desperdiçaste a tua vida.»

          Pobre daquele que escuta as palavras. Porque então acreditará em milagres, mas os instantes mágicos da vida já terão passado."

 

Paulo Coelho, em "Na Margem do Rio Piedra eu Sentei e Chorei"

 

"Na Margem do Rio Piedra eu Sentei e Chorei" é o meu livro preferido de todos os que já li. Fala sobre amor, sobre religião, sobre magia e fé. Mas sobretudo fala sobre a vida. E este é um dos textos que mais gosto. É soberbo. E quero adópta-lo como uma das minhas filosofias de vida.

 

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 19:14
sinto-me: Happy happy! :D
música: P. Diddy & Faith Hill - Every Breath You Take

26
Out 09

 

 

^_^

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 21:08

 

 

Amo este filme, August rush. :)

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 20:43

24
Out 09

 

Existem pessoas muito especiais. E, pensando bem ,elas aparecem na altura certa...

 

Uma amiga que conheci muito recentemente falou-me de muita coisa que me deixou a pensar. Falou-me que todos temos uma predesposição nesta vida, mas que somos nós que tomamos as decisões e que são essas que vão nos levar ao bom ou ao mau caminho.

 

Ela foi uma luz na minha vida, e nunca a vou esquecer. Tal como ela, já tive outras luzes que tentaram me orientar para o melhor caminho, a estrada de volta a mim, ao que sou realmente. Só que eu, que andava e ando bastante perdida neste Mundo, não tive a sabedoria nem o tacto suficiente para os ouvir verdadeiramente e perceber o que me queriam dizer.

 

Sempre fui uma pessoa muito carente e muito egoísta. O egoismo talvez não tenha nascido comigo, mas eu, que tantas vezes me fechei em mim e desprezei o mundo, cultivei esse egoismo de tal forma que agora sou um ser do qual não gosto: egoista, mesquinha, sozinho, triste... A carência fez-me mendigar por amor, quando se desse valor ao que e a quem realmente importa, era coisa que não me faltaria nunca.

 

Não me considero má pessoa. Simplesmente perdi-me algures no caminho quando acreditei nos outros e na visão que estes tinham de mim. E como tudo na vida, tenho que sofrer as consequências. Talvez tenha perdido para sempre aqueles que realmente me amaram incondicionalmente, os que tantas vezes me tentaram abrir os olhos e eu não os ouvi realmente.

 

A verdade é que, mesmo sendo egoista como sou, sempre me preocupei e sempre pensei neles. Sempre me preocupou saber como estavam, o que lhes precoupava. Mas, fechada sobre mim, so eu importava e não soube me dedicar a ouvi-los e a tentar ajudá-los como fazia no passado.

 

Houve um grande amigo meu que teve problemas com drogas. Ele durante muito tempo foi o meu porto de abrigo. Passava o dia inteiro à espera da altura em que poderiamos falar sobre tudo. Os sonhos, os sonhadores... Lembro-me tão bem desses tempos.

Um dia ele desapareceu. Ele não sabe, mas, sabendo que ele tinha o problema que tinha, chorei tantas vezes desesperada por não ter uma notícia dele. Rezei para que ele estivesse bem, para que os meus medos fossem em vão. E mesmo quando alguém me disse coisas más a respeito dele, tentando me semear a dúvida sobre o seu carácter, eu não acreditei em nada. Eu conhecia-o bastante bem, e além disso a minha intuição sempre me disse que ele tinha bom coração, que era uma excelente pessoa, em quem poderia sempre confiar.

Passamos meses (ano(s)?) sem nos falar. Nunca me esqueci dele. E sempre que pensava na palavra "amigo" era ele um dos primeiros a aparecer-me no pensamento.

Voltamos a falar. Entretanto mudei. Para muito pior. Tornei-me descrente na vida, nas pessoas, no futuro, nos sonhos, e sobretudo em mim. Passei a odiar-me, a ter vergonha de mim, admito. Ele bem que tentou alertar-me, chamar-me à razão. Mas não adiantou. E afastei-o de mim. E penso que de vez.

 

*

Essa amiga que conheci recente falou-me de algo que já tinha ouvido falar, mas não dei muita importância: a lei da atracção. Disse-me que tudo o que enviamos para o universo, vem de volta para nós. Portanto, se pensamos coisas negativas, acontecem-nos coisas negativas ( e vice-versa) ou se nos vemos de certa forma o Mundo também nos vai ver.

Ela explicou-me que somos nós que temos que mostrar ao mundo quem somos e não o mundo que tem de nos dizer como devemos ser.

 

Esta última semana foi muito importante para mim, tal como a Alda foi. Abriu-me os olhos para muita coisa. Sei que já perdi muitos amigos e muita coisa por minha burrice, por minha culpa. Não posso voltar atrás. Mas posso e devo olhar para a frente.

A minha missão pessoal tornou-se clara para mim. Devo todos os dias cultivar o amor incondicional, o amor ao próximo. No fundo, fazer o bem e "matar" este egoismo que cresceu em mim desmesuradamente.

 

Deus nos criou para amarmos e sermos amados. Quem vê o Deus punidor, não vê Deus. Ele é amor e nós, como seus filhos, somos amor também.

Sempre soube, mas não quis dar importância. Mas as pessoas especiais são enviados de Deus para nos abrir os olhos. E a resposta para tudo está sempre dentro de nós, e não fora.

 

Por tudo isto, agradeço aos que foram e/ou são meus amigos hoje. Nunca me esqueci nem nunca esquecerei os verdadeiros. E peço desculpa pelo que fui. Mas não posso voltar atrás.

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 15:55
música: Making me better - Lullabye

16
Out 09

Aqui estou. Aqui estamos.

Os meus pés estão molhados, de caminhar pela chuva sem ter com que me proteger dela. É assim. No primeiro contacto com algo novo, a nossa reacção poderá não ser a mais apropriada. Mas a chuva não é algo novo para mim. Sempre esteve aqui. Às vezes levanto o rosto, encaro-a de frente e deixo que ela me toque. Outras vezes faço de tudo para que ela não me veja, para que ela não me toque. Às vezes corro o máximo que posso para chegar ao meu abrigo, para deixar a chuva para trás. Às vezes esqueço como sabe bem sentir as gotas a cairem-me no rosto. Quando deixo que ela me toque, sinto-me completa, como se fizesse realmente parte de todo o cenário, do Mundo e do processo que origina todo este espetáculo de cores, sentimentos e sons chamado vida.

Às vezes estou aqui, e sou eu. Aquela que sorri por sorrir, aquela que ama, que sente tudo, que olha para tudo, que sonha, que acredita. Aquela que, não sei como, é feliz.

Muitas vezes não sei onde estou, nem quem sou. Não sinto nada, sou fazia. Sou lixo cósmico que vagueia sem destino, que foge da chuva, que fica irritada com a chuva, que não tem culpa de eu ser assim, nada.

 

Aqui estou. Ainda sei quem sou. Ainda tenho sonhos. Ainda gosto de caminhar na chuva. Mas, às vezes...

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 15:35

10
Out 09

Perdi-me. Mas já voltei.

 

Sigo em frente, afastando-me do passado, sem pensar no futuro. Não posso nem quero mais virar-me para trás. Já o fiz antes e transformei-me em pedra. Agora que o feitiço se quebrou, não consigo parar os meus pés. Estou num comboio em andamento, e vou numa carruagem lá para a frente.

 

Os amigos vão estando aqui comigo. Vou-lhes dizendo o quanto gosto de falar de tudo e mais um pouco.

 

Senta-te aqui comigo. Falemos do mundo, falemos de filosofia, falemos de nós! Ignora tudo. Ignora a chuva, e tudo o resto. Deixa esta conversa ser a fonte de inspiração de hoje e a memória de amanhã...

 

E depois? Depois será depois. Agora é tudo o que importa. ;)

 

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 18:15
sinto-me: Eu
música: Seal - Love's Divine

08
Out 09

"Yesterday I got lost in circus..."


Todas estas verdades e mentiras confundem-me. Não sei o que quero mais, o que me faz mais falta. Por isso, cada vez mais aprecio as virgulas da vida. Sim, as paragens entre uma verdade e outra, uma mentira e um desgosto. Mas essas virgulas são tão vagas, como se lavassem o texto anterior da página, e nem mesmo se importassem com o que se segue. São meros separadores, livres de sentimentos, preconceitos, constrangimentos.

A verdadeira emoção reside em escrever, é certo. E dá-mos um suspiro de intervalo sem saber onde o recomeço vai nos levar. As possibilidades são tantas e tão variadas. E nessas possibilidades há também coisas negativas. Aí chega o medo. Pensar. O problema é pensar tanto. E se nos atirassemos nesse recomeço, tendo aprendido as lições do parágrafio anterior, mas sem receio do que possa vir a seguir? Ao que parece a felicidade é um vôo livre. Sem amarras, sem nada que nos prenda ou que nos restrinja para lá chegar. Um dia o vôo acaba. Mas o que é preferível? Não voar, mantermo-nos pelo seguro, e viver de virgulas? Ou voar por uns segundos e dar vida ao tal separador, tornando-o mais positivo?

Tudo muda. Há sempre mais uma palavra a escrever, até quando morremos - "Saudade". Já desesperei porque não me conformava com a mudança. Porque as pessoas mudavam, porque eu mudava. Desesperava porque só via as mudanças negativas. Mas até essas são necessárias, nem que seja para eliminarmos o que precisamos, ou para deixar cair as máscaras daqueles que desempenham um papel todos os dias, mas são outra coisa. Mudança faz parte. Mudar é bom. Não há melhor remédio contra o tédio.


Mudemos então. Renovemos, como as árvores se renovam a cada Outono.


Ponho um sorriso na cara e saio para a rua. Mãos frias, coração quente. E apesar de tudo que tenho pela frente, não posso deixar de me perguntar...


"Onde está você agora?"

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 21:40
música: Amos Lee - Colors & Caetano Veloso - Sozinho

02
Out 09

Sozinha, no escuro, na terra da desesperança. Sozinha...

 

Numa qualquer porta entreaberta entrei e perdi-me noutra dimensão, noutro eu. E casa já não queria dizer nada, nem amor, nem amizade. Estava ali, fora de mim, vazia, indiferente. Tal como toda a gente à volta. Bem, na verdade, nem gente nem a terra que palmilhava me importava. Nada importava. A não ser o respirar. Era o único fio que me ligava à vida.

E era um elemento simples da paisagem, surreal como tudo o resto. Simples, sem a complexidade da humanidade. Era movida a vento, de tão vazia. Era um promenor insignificante, uma poeira cósmica.

...Estaria eu morta?

 

Eu não era. E já não se sou ou se voltarei a ser. Os outros obrigaram-me a questionar. Sou dúvida constante e não sei o que é confiança. Não, confiar em alguém agora não consigo. Já ninguém me consegue agarrar, nem tão pouco comover.

 

Será isto o fim? Não. Recuso-me a largar os sonhos que seguro no meu regaço. Eles ainda estão aqui, sinto-os. Eles olham-me com um olhar expectante a cheios de confiança e dizem-me "acredita em ti, menina idealista e sonhadora que ainda aí reside. Luta, acorda e abraça o teu destino." Eles estão à espera que eu lhes olhe de volta, mas... Eu tinha desistido de tudo, e fiquem sem forças para nada...

 

Mas alguém, alguém muito especial agarrou-me o braço, obrigou-me a olhar e pediu que eu voltasse. Respondi num acorde sem esperança que não tinha para onde voltar. E então ele sorriu, como já antes sorrira. Era um sorriso saudosista que eu conhecia muito bem. Ai ele me disse: "Eu, tal como aqueles que carregas quase sem te aperceberes no teu regaço, eu...acredito em ti. Quero a Isa de volta. E tu a queres também porque tu sabes o teu potencial. Volta, por favor." Sorri. Provavelmente o primeiro sorriso sincero em muito tempo...

 

"Eu vou tentar, prometo."

 

E essa é agora a minha missão. Tentar e conseguir resgatar quem fui, e acreditar que nós seremos capazes de olhar para a frente, revolucionar o que for preciso revolucionar, e atingir tudo o que somos capzes de atingir. 

 

Os horizontes são feitos para serem ultrapassados.

 

 

 

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 20:58
música: Da Weasel ft. Manuel Cruz - Casa (vem fazer de conta)

01
Out 09

Enquanto penso em cartas por escrever com a ajuda da saudade, sinto a cidade pulsar a um ritmo alucinante ao som de uma canção. Essa tal que pulsa agora é a "Use Somebody" dos King of Leon.

 

Big city lights. :)

 

 

 

 

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 01:26
sinto-me: Great
música: Use Somebody - Kings of Leon

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