"Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo... " Fernando Pessoa

03
Mar 17

Enquanto percorro o traços imaginários dos meus passos, existem outros traços imaginários que se cruzam. Imaginários, mas reais. Aqui, ali e em todo o lado...há tanto que se esconde, que não se contenta com a superfície e procura os oceanos profundos de cada um. 

 

Existe uma imensidão de azul, nesse oceano, que se transforma lentamente em um tom mais escuro, e mais outro, e outro, até que já não existe cor, só falta de luz. No subsolo, lá nas profundezas do ser, vive tanto de nós, e tão pouco são aqueles que conhecem esse nível raso de nós próprios. Gostamos de pensar, ou fazer os outros pensarem, que somos feitos de água translúcida e pequenos fragmentos de matéria supérfula, de sorrisos faceis e palavras leves. Mas não existe leveza na superficialidade. Existe a ilusão de leveza. Porque ninguém quer descer onde não se vê o céu, a linha ténue entre um anoitecer e o dia que agora se põe.

 

Então, será que podemos dizer que vivemos no Crepúsculo da nossa imensidão? Nas nossas costas carregamos a escuridão do que nos marcou e nos ensinou o que é a gravidade.Não a gravidade do espaço. A gravidade da vida. Há quem flutue ignorando todo o mundo que está por baixo, mas a vida nos ensina que o caminho se faz debaixo para cima. Se ignorarmos toda a escurião, só saberemos deambular pela claridade. Parece um passeio fácil e feliz, mas a ingenuidade e a inocência torna-nos incautos. Como seria bom ser ingénuo e ser sábio, ao mesmo tempo. Como seria bom saber tudo sobre os pequenos becos da base escura de nós mesmos, sem sentirmos medo ou dor. 

 

Quem se deixa flutuar e ignora a caixa de pandora caída lá no fundo daquele oceano, perdida na escuridão e imensidão da noite do nosso ser. Ao ignorar, não se consegue conhecer todos os males que assolam o Mundo. Mas nem tampouco o valor da esperança, principalmente num mundo tão superficial como este, onde vivemos. 

 

Trago comigo o meu oceano particular, os meus vários tons de azul. Daqui, do lado de fora parece que só existo. Ninguém sabe, ninguém sabe a profundeza dos vários tons, a itensidade da gravidade que me obriga a lidar com os tons mais escuros, os dias mais tristes, mas memórias mais dolorosas. Ninguém conhece a intensidade do meu Crepúsculo, ou o que sindo quando vejo a água translúcida que também faz parte do meu eu...

...Nem ninguém sabe o que cada um com sente para um céu carregado de nuvens, com uma pequena abertura entre elas, de onde irradia um sol que vem de muito longe, e já viu mais do que alguma vez veremos. Ninguém sabe, mas toda a gente presume saber. Toda a gente se acha no direito de julgar. Para cada janela da alma que finta esse sol, há um imenso oceano por detrás. Só quem ignora o seu, poderá julgar quem mergulha, quem cede à gravidade, quem cede aos medos, quem cede ao choro, quem cede ao despero, quem carrega consigo todas as suas dores sem as declarar como somente suas. 

 

Somos particulas do Cosmos. Mas mesmo dentro de uma partícula, cabe um infinito em expensão. É essa a nossa a dimensão. E a dos outros. Alguns com Universos cheios de luz, de estrelas e planetas. Outros perdidos nos buracos negros do seu próprio Universo. 

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publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 17:29

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