"Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo... " Fernando Pessoa

09
Jul 07

Mudanças...

 

O que esperar do amanhã, quando já esperamos por tanta coisa, e grande parte delas nunca chegaram? Há que ter esperança. O que nos resta? A vida, ao que parece, é traiçoeira. Nunca consegui perceber se a vida é uma vilã ou uma heroína. Percebem o quero dizer? Eu acho que é um pouco dos dois. às vezes é tão devastadora, quando nos atraiçoa, quando nos magoa, quando nos põe à prova. Mas, de vez enquando, dá-nos coisas tão boas. Como se fossem recompensas por tudo o que passamos. Que contrasenso este. Quantas vezes passamos das lágrimas aos sorrisos em segundos? Como uma grande amiga minha uma vez disse num belo poema, a vida é mesmo uma peça de teatro. Drama, tragédia e comédia. Tudo isto porque o Homem procurou sempre ser mais do que simplesmente ser. Por um lado, somos que nem as ondas, já que a vida nos leva para onde quer e bem lhe apetece, e nós sempre vamos, navegando, a seu belo prazer. Mas também é verdade que somos nós, em grande parte, que provocamos as marés. Somos nós que, ao agirmos de certa forma, iremos, obrigatóriamente sofrer as consequências disso. E os outros também sofrem as consequências dos nossos actos, já que estamos todos interligados neste grande oceano.

Então, eu me pergunto: porquê pensar que nunca há solução? Hoje choro, amanhã já sou feliz. Isto não se aprende num dia. É preciso cairmos e reerguer-nos várias vezes nesta longa jornada que é a vida. A isso se dá o nome de crescer. E crescer implica, claramente mudanças, pois vamos aprendendo coisas novas. E, como podem perceber, isto torna o ser humano num ser maravilhoso, porque crescemos até morrer. Mesmo com 90 anos ainda estamos a crescer. Porque não se aprende tudo numa vida, nem em duas. A vastidão da racionalidade não permite a existência de um ser perfeito. E para quê perfeição? Perfeição é o fim de linha. Perfeição é, na verdade, o fim de linha, a morte do ser pensante. E mesmo sabendo isto tudo, queremos sempre mais. Podemos saber muito, podemos ser muito sábios, mas teremos sempre algo mais a aprender. Isto não é fantástico? Nunca estaremos verdadeiramente sós, nem nunca estaremos verdadeiramente perto do vazio total, se, agora, amanhã, ou depois ainda tivermos algo a aprender. E é por isso que gosto tanto de envelhecer. Porque ao envelhcer, cresço, aprendo.

Contudo, crescer e mudar não quer dizer perder a identidade. Pelo contrário, somos os mesmos e um pouco mais, cada dia. Somos seres por escrever, por completar.

E com tudo isto já percebi uma coisa muito importante: se o dia de hoje foi mau, o de amanhã pode ser o melhor dia da minha vida. Quem sabe? O futuro é uma incógnita, e isso é muito bom. E melhor ainda é descobrir, dia a dia, uma nova sensação, uma nova cor, um novo eu.

Crescemos hoje, para existir-mos cada vez mais amanhã. Sim, porque aprender é existir, é SER!

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 20:23
sinto-me:
música: True Colors - Phil Colins

comentário:
O que dizer? Mais uma vez conseguiste transpôr por palavras algo que sentes!!!
Continua assim!!! E se quiseres, o curso mudou de nome, mas continua a aceitar pessoas que queiram aprender e que tenham tanto jeito como tu!!!
Beijos
Ana Lúcia a 9 de Julho de 2007 às 22:02

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