"Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo... " Fernando Pessoa

22
Nov 19

Ás vezes só consigo ser leve e livre quando me deixo levar pela música, quando paro de pensar. Nesses breves segundos em que flutuo no maravilhosa imensidão da simplicidade de ser, todos os males do Mundo, todas as questão existenciais ficam fechadas numa qualquer caixa de Pandora.

Quando volto a mim, a Caixa de Pandora abre-se, sem que eu pudesse controlar. Todos os medos e inseguranças voltam à superficie, e somente a esperança fica ali, imersa, a tentar encontrar um raio de luz que abra caminho por entre toda esta negatividade. 

O pior de tudo é não saber porquê. Os pensamentos rodopiam soltos, a auto-critica, o medo de não estar a seguir o bom caminho, de não ser boa mãe, de não ter qualidades, só defeitos. Todas estas inseguranças parecem um comboio a alta velocidade, que não ocupam só o pensamento, mas que fazem com que haja sempre este aperto no peito, pesadelos desconexos e noites más dormidas. 

Ás vezes só gostava de poder andar de mão dada com o meu eu, aquele que tem orgulho de ser quem é, que se aceita como é, que sorri, fala, vive sem culpa e sem julgamentos.

Ás vezes gostava de não ter tantas perguntas, e nem sequer me preocupar com respostas. Ás vezes gostava de somente respirar. Um simples breath in, breath out.

A simplicidade é o meu maior sonho. As amarras da insegurança são a gravidade que me prendem ao chão. Sou repleta de vontades, de projectos, de ambição. Mas esse eu vive de costas voltadas para a Acção. 

Que um dia me esqueça de lembrar. Que um dia me lembre de esquecer. 

 

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 22:52

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