"Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo... " Fernando Pessoa

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Jun 15

Passaram quase 5 anos desde a minha última públicação... Se tivesse escrito esta frase na minha velha máquina de escrever, demoraria uma eternidade barulhenta a fazer um simples "rewind"... Porque não, não vou começar este post assim, pelo menos não na sua essência. 

 

Na vida, é como na lenda: olhar para trás transforma-nos em pedra. A memória existe como exemplo comparativo, como nosso manual escolar da vida, ou seja, para não esquecermos os erros, para não voltarmos a repeti-los, para sabermos todas as aprendizagem utéis que adquirimos até aí, talvez para servir como aquele pequeno click parante as coincidências e obstáculos da vida. Viver no passado é diferente, é errado, é basicamente estar de costas para o futuro. Então, olhemos em frente, ou então para o presente. A vida acontece agora, e se estivermos realmente atendos, vemos que, tal como no Cosmos em geral, tudo pode acontecer, tudo é desconhecido e extremamente pequeno na escala do infinito.

 

O que é engraçado em tudo isto é que ego, ser abstracto e alucinado, por vezes é maior que o infinito ao quadrado, e quem se rege por essa coisa fica mergulhado num mundo construído por convenções, morais e manipulações colectivas. Tem lógica, se pensarmos bem, afinal quem tem quem alimente o seu ego, soube como montar as redes para apanhar o peixe, soube construír e dar a esse grupo o que ele quer, o que ele aceita como certo e como grandioso. Até a Deus foi dado um ego que o fez perante os olhos dos "tementes" a Ele, como um ser superior implacável, que castiga os seus filhos à base de pragas ou desgraças, ou sei lá o quê. O que nos criou a todos, sofreu por nós, é tido como ominipresente e representado como puro amor ou luz, vai ficar muito zangado se um dos seus filhos deitar um papel para o chão, e vai interferir com todos esses mundos paralelos, destino, karma, o que seja, para que esse seu filho seja castigado?

 

As prioridades andam trocadas, e os contextos manipulados. No fundo, tudo isto não interessa. E aí está o Santo Graal da nossa existência neste mundo: o que interessa é individual, é pessoal. Eu interesso-me por algo, e tu por outra coisa qualquer. E a vida que se faz olhando em frente existe muita introspecção, existe um auto-conhecimento, uma busca constante por isso. Porque na verdade, o essencial é descobrirmos quem somos, o que queremos e para onde queremos ir. Porque se não o fizermos, se nos regermos pelas convençoes, pelo colectivo, o nosso equilibrio não existe. Quem segue rebanhos, terá como bem e mal aquilo que lhe for ensinado e apontado. Onde pode haver equilibro numa alma sem esse tipo de discernimento? 

 

Para tudo isto, para esta jornada sem fim, que nos acompanhará até ao último fôlego, é indespensável a humildade. Sim, humildade. E digo-vos uma coisa: humildade não é sinónimo de pobre. É sim sinónimo de rico, pois rico do qual conseguir olhar para o passado e aprender verdadeiramente com os erros, admitindo-os a si mesmo, e, acima de tudo, perdoando. Porque há quem passe uma vida a errar sem aprender, alimentando o ego, esse ilusionista matreiro, e não deverá haver existência mais triste que essa. Porque só não erra, só não tem atitudes de bem e de mal, quem nunca viveu. Prefiro mil vezes ser olhada de lado por ser quem sou e admitir-lo, do que andar de cabeça baixa julgando e sendo julgada. 

 

Assim vamos em frente, nessa longa caminhada... Sendo nós, cada vez mais, olhando para trás cada vez menos.

 

 

 

 

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 22:03

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