"Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo... " Fernando Pessoa

01
Jul 19

Num qualquer ponto deste vasto chão, alguém observa o céu. Tudo daí parece imenso. O que nos rodeia, e o que nos compõe.

 

A viagem sempre começa num pequeno segundo de contemplação. Quando fazemos uma pausa da banalidade do dia a dia, quando olhamos aquele céu, aquela estrela, aquela pequena folha que abana com o vento... quando voltamos à origem de tudo, dão-se os pequenos momentos de clarividência.

Ás vezes a viagem inicia-se sozinha, e leva-nos junto numa pequena jornada a um canto impresivivel do nosso infinito pessoal.  Sim, infinito. Podemos fazer de conta que sabemos de tudo sobre nós, mas sabemos tão pouco. Estamos alegremente perdidos entre a multidão que nos rodeia. 

No fundo, todos nós estamos à procura de respostas, enquanto percorremos o caminho para casa. A cada passo estamos mais perto do virar da esquina, mas a cada esquina estamos mais longe de chegar a casa. Porque o nosso corpo está na Terra, e a nossa alma, essa criança curiosa e sonhadora, voa em forma de cometa algures em Saturno ou numa qualquer cauda da Via Láctea. 

Por isso é que é mais fácil respirar e sorrir quando olhamos para as estrelas. Porque quando olhamos em volta sentimo-nos sós. A gravidade torna-nos egoístas e presos a um só chão. Mas, aqui, os pés que os pisam não são tidos todos como iguais. Apesar de todos nós estarmos perante épicas batalhas internas, vivemos num mundo desigual. 

Quando olhamos o céu, num pequeno ponto distante, a luz da nossa estrela reluz livre, à espera que novos planetas e satélites a acompanhem, e formem a próxima fase do nosso sistema solar. 

Aqui, neste corpo pequeno e minúsculo, necessitamos aprender, evoluir. E tudo está feito para que seja extremamente díficil, para que não haja certezas, só perguntas. Porque a nossa alma é luz, mas o espaço é negro. E solitário. 

Ao olhar o céu não se vê somente as estrelas e as constelações. Inconscientemente, sentimos a saudade de casa, sem saber que, afinal, Saturno é aqui tão perto, e que, como dizia Pessoa, afinal, nós não somos do tamanho da nossa altura; somos do tamanho do que vemos.

Saturno

 

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 01:40

02
Out 09

Sozinha, no escuro, na terra da desesperança. Sozinha...

 

Numa qualquer porta entreaberta entrei e perdi-me noutra dimensão, noutro eu. E casa já não queria dizer nada, nem amor, nem amizade. Estava ali, fora de mim, vazia, indiferente. Tal como toda a gente à volta. Bem, na verdade, nem gente nem a terra que palmilhava me importava. Nada importava. A não ser o respirar. Era o único fio que me ligava à vida.

E era um elemento simples da paisagem, surreal como tudo o resto. Simples, sem a complexidade da humanidade. Era movida a vento, de tão vazia. Era um promenor insignificante, uma poeira cósmica.

...Estaria eu morta?

 

Eu não era. E já não se sou ou se voltarei a ser. Os outros obrigaram-me a questionar. Sou dúvida constante e não sei o que é confiança. Não, confiar em alguém agora não consigo. Já ninguém me consegue agarrar, nem tão pouco comover.

 

Será isto o fim? Não. Recuso-me a largar os sonhos que seguro no meu regaço. Eles ainda estão aqui, sinto-os. Eles olham-me com um olhar expectante a cheios de confiança e dizem-me "acredita em ti, menina idealista e sonhadora que ainda aí reside. Luta, acorda e abraça o teu destino." Eles estão à espera que eu lhes olhe de volta, mas... Eu tinha desistido de tudo, e fiquem sem forças para nada...

 

Mas alguém, alguém muito especial agarrou-me o braço, obrigou-me a olhar e pediu que eu voltasse. Respondi num acorde sem esperança que não tinha para onde voltar. E então ele sorriu, como já antes sorrira. Era um sorriso saudosista que eu conhecia muito bem. Ai ele me disse: "Eu, tal como aqueles que carregas quase sem te aperceberes no teu regaço, eu...acredito em ti. Quero a Isa de volta. E tu a queres também porque tu sabes o teu potencial. Volta, por favor." Sorri. Provavelmente o primeiro sorriso sincero em muito tempo...

 

"Eu vou tentar, prometo."

 

E essa é agora a minha missão. Tentar e conseguir resgatar quem fui, e acreditar que nós seremos capazes de olhar para a frente, revolucionar o que for preciso revolucionar, e atingir tudo o que somos capzes de atingir. 

 

Os horizontes são feitos para serem ultrapassados.

 

 

 

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 20:58
música: Da Weasel ft. Manuel Cruz - Casa (vem fazer de conta)

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