"Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo... " Fernando Pessoa

01
Jul 19

O que é ter tudo?

É ter dinheiro? Beleza física? Amor? Ou ter uma boa casa, ou um bom carro?

O privilégio não é de quem tem "tudo", mas de quem cresceu a viver com pouco. Mesmo assim, inconscientemente, desejamos que esse pouco seja um mais, mas materialista.

Nunca poderemos ter tudo. Mas enquanto aqui estivermos, teremos tempo. Teremos oportunidades.

Como diz o narrador do Principezinho, os adultos adoram números. E aí, contamos o tempo, sem nos apercebermos que o tempo é relativo. Numa pequena janela com vista para as estrelas, um minuto pode nos devolver milhares de memórias, e nessa viagem, podemos descobrir coisas sobre nós, sobre a vida e sobre os outros. Anos de aprendizagem se desdobram e se revelam numa pequena janela, num minuto cronometrado do relógio, mas que na imensidão do nosso universo pessoal, pode equivaler a 1 ano luz. 

Num sorriso sincero duma criança, podemos sentir muito mais felicidade, do alguma vez todo o dinheiro do mundo nos poderia dar. 

Beleza? Há algo mais belo e complexo do que o nosso mapa de constelações? Não haverá beleza na tristeza e na dor das feridas abertas, ou nas cicatrizes que ainda nos preenchem, mas há uma beleza imensa em acordar hoje mais forte do que ontem. Nem todos conseguem sentir que se fortaleceram nesta vida. Mas aqui, ou na próxima vida, cada dia é mais um passo. Cada sorriso, cada "obrigada", cada suspiro silencioso de paz, nos guiam e nos confortam. 

Viver não é fácil, para ninguém. Com ou sem dinheiro, com ou sem beleza (física), haverão sempre mais perguntas do que respostas. 

E eu sei que é tão difícil viver sem julgar ninguém, mas atrás de cada rosto, há uma alma, uma História. Há todo um universo infinito e em expansão que desconhecemos. Mais difícil ainda, é julgarmos-nos a nós próprios, aceitarmos os nossos defeitos e qualidades, aprendermos a sermos melhores. Mas, como diz a música "cada um sabe da alegria e da dor que trás no coração". Se não estamos cientes da imensidão que somos, como poderemos estar cientes da imensidão de cada ser que nos rodeia?

Humildade. Sei que nós nos pomos no centro da vida. Mas basta olharmos para o céu, para perceber que fazemos parte de algo bem maior. Se no Universo imenso existem tantas estrelas, porquê querer que apenas uma brilhe mais do que outras? Nós, somos este pontinho pequeno, olhando para um corpo celeste no passado, para a a beleza da luz que irradia, mas que na verdade representa a sua morte. Estamos tão longe, e somos tão pequenos, que só vemos um pequeno ponto de luz, de algo que já foi, talvez, o centro de um outro sistema solar. 

Este, aqui, é só um corpo com prazo de validade. Esta vida é só uma passagem, e o que levamos é a aprendizagem. A beleza está em aproveitar o intervalo, consciente de que se fosse fácil, não haveria razão para tudo isto.

 

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 23:17

28
Mar 09


Perdida entre a monotonia dos dias, o tempo não me é escasso. Desenho possibilidades, esboço sorrisos, planeio fugas. Quem me impede? A minha imaginação é livre.

Quem dera que um terço dos prados fertéis da minha imaginação se materializassem à minha frente; que bom seria se o mundo tivesse outras cores. Imagino tal parceria entre mundos tão distintos, e sei. Eu sei que o que peço não faz sentido. A imaginação é algo tão precioso porque se esconde em nós, que nem criança traquina escondendo-se atrás de um tronco de uma árvore. Nós, aldutos, olhamos para a criança, e o seu olhar excitado, encarando isso como uma simples brincadeira de criança. Mas quem poderá alguma vez imaginar o que aqueles olhos vêem? Atrás daquela árvores não está só a criança traquina, está também um outro mundo completamente misterioso e fascinante.

A imaginação é isso, é a criança traquina dentro de nós. A criança só quer ser feliz. E não arranja motivos para o ser, somente o é. E a principal razão para isso é porque a criança não coloca rédeas à imaginação. Deixa-a a correr solta, deixa-a ser livre. A criança ama a liberdade. A criança ama com a maior das facilidades, porque vive, porque é simplicidade.

Como gostava de ser simplicidade... Como gostava de soltar as rédeas à criança que há em mim... Por vezes consigo. Consigo ser feliz, não tendo uma causa para tal. Simplesmente sou.

Quero tanto me perder. Quero tanto que alguém me encontre. Quero me apaixonar. Não pensar no amanhã, não perseguir o que me pode fazer feliz, até esgotar todas as hipóteses. Quero simplesmente ser!



"O amor é o triunfo da imaginação sobre a inteligência. E é assim o amor... E é assim que eu te amo:  sem entender nada, mas imaginando tudo."

 

 

 

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 02:07
música: Porque não eu? - Leoni

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