"Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo... " Fernando Pessoa

02
Out 09

Sozinha, no escuro, na terra da desesperança. Sozinha...

 

Numa qualquer porta entreaberta entrei e perdi-me noutra dimensão, noutro eu. E casa já não queria dizer nada, nem amor, nem amizade. Estava ali, fora de mim, vazia, indiferente. Tal como toda a gente à volta. Bem, na verdade, nem gente nem a terra que palmilhava me importava. Nada importava. A não ser o respirar. Era o único fio que me ligava à vida.

E era um elemento simples da paisagem, surreal como tudo o resto. Simples, sem a complexidade da humanidade. Era movida a vento, de tão vazia. Era um promenor insignificante, uma poeira cósmica.

...Estaria eu morta?

 

Eu não era. E já não se sou ou se voltarei a ser. Os outros obrigaram-me a questionar. Sou dúvida constante e não sei o que é confiança. Não, confiar em alguém agora não consigo. Já ninguém me consegue agarrar, nem tão pouco comover.

 

Será isto o fim? Não. Recuso-me a largar os sonhos que seguro no meu regaço. Eles ainda estão aqui, sinto-os. Eles olham-me com um olhar expectante a cheios de confiança e dizem-me "acredita em ti, menina idealista e sonhadora que ainda aí reside. Luta, acorda e abraça o teu destino." Eles estão à espera que eu lhes olhe de volta, mas... Eu tinha desistido de tudo, e fiquem sem forças para nada...

 

Mas alguém, alguém muito especial agarrou-me o braço, obrigou-me a olhar e pediu que eu voltasse. Respondi num acorde sem esperança que não tinha para onde voltar. E então ele sorriu, como já antes sorrira. Era um sorriso saudosista que eu conhecia muito bem. Ai ele me disse: "Eu, tal como aqueles que carregas quase sem te aperceberes no teu regaço, eu...acredito em ti. Quero a Isa de volta. E tu a queres também porque tu sabes o teu potencial. Volta, por favor." Sorri. Provavelmente o primeiro sorriso sincero em muito tempo...

 

"Eu vou tentar, prometo."

 

E essa é agora a minha missão. Tentar e conseguir resgatar quem fui, e acreditar que nós seremos capazes de olhar para a frente, revolucionar o que for preciso revolucionar, e atingir tudo o que somos capzes de atingir. 

 

Os horizontes são feitos para serem ultrapassados.

 

 

 

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 20:58
música: Da Weasel ft. Manuel Cruz - Casa (vem fazer de conta)

Março 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


posts recentes

Adormecer...e acordar

mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

5 seguidores

pesquisar neste blog
 
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Twitter
As minhas Imagens favoritas
blogs SAPO