"Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo... " Fernando Pessoa

12
Abr 16

Existe uma palavra que corre solta e facilmente por aqui e por ali...a palavra gentileza.

 

Gentilmente, deveríamos de julgar menos, respeitar mais. A minha dor não é a tua, e a tua não é a minha. Só nós temos acesso aos confins do eu. O filme da nossa vida, onde estão todas as nossas memórias,alegrias, tristezas, sofrimentos, erros e aprendizagens, não passa numa sala de cinema, mas dentro de nós.

 

Gentilmente, deveríamos nos conectar mais, ter mais empatia. Se olhas para os teus pares como seres humanos, e não como indivíduos de outra nacionalidade, de outra etnia ou outra cultura, então pratica um exercício todos os dias, pondo simplesmente a questão: e se fosse eu? Colocarmo-nos nos pés dos outros, ter empatia, enriquece-nos quanto eu, enquanto nós, humanidade.

 

Gentilmente, deveríamos ser mais cientes do passado para construir um futuro melhor. Os erros foram feitos para aprendermos com eles. É certo que viver não é fácil, e a vida não vem com um manual de instruções. Mas ao menos, aproveitamos os erros para saber o que não fazer, ou fazer diferente.

 

Gentilmente, deveríamos amar mais e odiar menos. Amar não é só um verbo, então não o uses de forma leviana. Ama com os actos, não somente com as palavras.

 

Gentilmente, sê gentil. Acredita, é contagioso.

 

 

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 22:51

02
Out 09

Sozinha, no escuro, na terra da desesperança. Sozinha...

 

Numa qualquer porta entreaberta entrei e perdi-me noutra dimensão, noutro eu. E casa já não queria dizer nada, nem amor, nem amizade. Estava ali, fora de mim, vazia, indiferente. Tal como toda a gente à volta. Bem, na verdade, nem gente nem a terra que palmilhava me importava. Nada importava. A não ser o respirar. Era o único fio que me ligava à vida.

E era um elemento simples da paisagem, surreal como tudo o resto. Simples, sem a complexidade da humanidade. Era movida a vento, de tão vazia. Era um promenor insignificante, uma poeira cósmica.

...Estaria eu morta?

 

Eu não era. E já não se sou ou se voltarei a ser. Os outros obrigaram-me a questionar. Sou dúvida constante e não sei o que é confiança. Não, confiar em alguém agora não consigo. Já ninguém me consegue agarrar, nem tão pouco comover.

 

Será isto o fim? Não. Recuso-me a largar os sonhos que seguro no meu regaço. Eles ainda estão aqui, sinto-os. Eles olham-me com um olhar expectante a cheios de confiança e dizem-me "acredita em ti, menina idealista e sonhadora que ainda aí reside. Luta, acorda e abraça o teu destino." Eles estão à espera que eu lhes olhe de volta, mas... Eu tinha desistido de tudo, e fiquem sem forças para nada...

 

Mas alguém, alguém muito especial agarrou-me o braço, obrigou-me a olhar e pediu que eu voltasse. Respondi num acorde sem esperança que não tinha para onde voltar. E então ele sorriu, como já antes sorrira. Era um sorriso saudosista que eu conhecia muito bem. Ai ele me disse: "Eu, tal como aqueles que carregas quase sem te aperceberes no teu regaço, eu...acredito em ti. Quero a Isa de volta. E tu a queres também porque tu sabes o teu potencial. Volta, por favor." Sorri. Provavelmente o primeiro sorriso sincero em muito tempo...

 

"Eu vou tentar, prometo."

 

E essa é agora a minha missão. Tentar e conseguir resgatar quem fui, e acreditar que nós seremos capazes de olhar para a frente, revolucionar o que for preciso revolucionar, e atingir tudo o que somos capzes de atingir. 

 

Os horizontes são feitos para serem ultrapassados.

 

 

 

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 20:58
música: Da Weasel ft. Manuel Cruz - Casa (vem fazer de conta)

28
Mar 09


Perdida entre a monotonia dos dias, o tempo não me é escasso. Desenho possibilidades, esboço sorrisos, planeio fugas. Quem me impede? A minha imaginação é livre.

Quem dera que um terço dos prados fertéis da minha imaginação se materializassem à minha frente; que bom seria se o mundo tivesse outras cores. Imagino tal parceria entre mundos tão distintos, e sei. Eu sei que o que peço não faz sentido. A imaginação é algo tão precioso porque se esconde em nós, que nem criança traquina escondendo-se atrás de um tronco de uma árvore. Nós, aldutos, olhamos para a criança, e o seu olhar excitado, encarando isso como uma simples brincadeira de criança. Mas quem poderá alguma vez imaginar o que aqueles olhos vêem? Atrás daquela árvores não está só a criança traquina, está também um outro mundo completamente misterioso e fascinante.

A imaginação é isso, é a criança traquina dentro de nós. A criança só quer ser feliz. E não arranja motivos para o ser, somente o é. E a principal razão para isso é porque a criança não coloca rédeas à imaginação. Deixa-a a correr solta, deixa-a ser livre. A criança ama a liberdade. A criança ama com a maior das facilidades, porque vive, porque é simplicidade.

Como gostava de ser simplicidade... Como gostava de soltar as rédeas à criança que há em mim... Por vezes consigo. Consigo ser feliz, não tendo uma causa para tal. Simplesmente sou.

Quero tanto me perder. Quero tanto que alguém me encontre. Quero me apaixonar. Não pensar no amanhã, não perseguir o que me pode fazer feliz, até esgotar todas as hipóteses. Quero simplesmente ser!



"O amor é o triunfo da imaginação sobre a inteligência. E é assim o amor... E é assim que eu te amo:  sem entender nada, mas imaginando tudo."

 

 

 

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 02:07
música: Porque não eu? - Leoni

20
Mar 08

 

Quem sou eu,afinal? Tantas e tantas horas percorridas ao som de melodias repetitivas, perguntas retóricas, solidão, incompreensão... Que complexidade! Tanto rio, como choro. Sou a inconstância em pessoa. Na verdade, lá no fundo, sei a verdade. Sei que vivo de teorias, vivo de frases, pensamentos. Sou como uma manta de retalhos,e cada retalho provem dos diferentes recantos da minha mente, do meu ser.

Tanto proclamo todas as magnificas virtudes da solidão e, no fundo, tenho tanto medo dela. Em cada pessoa, vejo uma oportunidade de abandono. Doentio? Talvez. Na verdade, quando estou rodeada de gente sinto-me só. Vejo-me ali, sozinha, a observar a vida à minha volta, e eu sinto-me como um elemento morto em toda esta cena. Porquê? Porquê esta tristeza, este sentimento de abandono? Quantos dias, meses, anos, precisarei mais para descodificar este meu coração, esta minha mente?

Às vezes sinto-me verdadeiramente cansada. Tanto é o turbilhão de pensamentos que me passam pela cabeça... Tantas hipóteses, apostas, observações... Um dia, uma hora que fosse gostaria de ser vazia. De sorrir, só sorrir. Olhar, só olhar. Viver...só viver.

Tudo isto conjugado com esta espera cada vez mais desperançada por aquele, aquele que poderia "varrer" todas estas incertezas, dúvidas, tristezas. Às vezes ponho-me a imaginar, como seria. Eu não seria assim, tão "inatractiva", e ele apareceria. Eu o amaria, assim, despojada de toda a minha complexidade. Simplesmente amaria, ele, suas qualidades, seus defeitos, seu sorriso, sua alma, sua risada, seu olhar. E seria feliz. Talvez... Talvez se amasse alguém a minha cabeça estivesse ocupada, e os "retalhos" voltassem ao seu lugar, sem me perturbar...

 

Gostava de ser eu...sem o ser.

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 22:12
música: Bleeding love
tags: , ,

06
Jun 07

 

Se estes meus pés soubessem o que é liberdade... Se fossem audazes, saberiam o que é. Saberiam qual é o sabor de uma longa estrada, de um caminho sem fim, perdido nessas paragem longínquas da velha Gaia, e desse manto azul infinito que é o céu. E os meus olhos, levados pelos meus insaciaveis passos, também eles se tornariam insaciaveis, querendo mais e mais e mais. Mais azul, verde, vermelho, branco e até preto! Mais campos de trigo, mais amendoeiras em flôr, mais cachoeiras, mais riachos, mais...chão e mais céu. O meu rosto sentiria a leve brisa de um dia de Primavera na velha Europa, uma gota de suor provocada pelo calor da tropical da América ou um gélido cumprimento dos ventos do Sul. E a minha boca iria saborear cultura, da mais variada, da mais rica que há por essas terras por palmilhar. E os meus braços...esses abraçariam cada dia com ternura e com esperança. E até abraçariam de bom grado a solidão, a minha grande mestra, a minha amiga, a minha companheira de viagem.

Se os meus pés soubessem o que é liberdade, então eu seria leve. Tão leve que estaria aqui, e ali e em todo o lado, simplesmente deslizando ao sabor do vento.

Se eu soubesse, ou tu, todos os outros o que é liberdade, então sim...O mundo seria belo, seria leve, caminho aberto para esses pés, esses olhos, esses rostos, essas bocas e esses braços audazes, esperançosos.

 

Se todos soubessem o que é liberdade, o MUNDO SERIA NOSSO!

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 21:31
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