"Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo... " Fernando Pessoa

24
Out 09

 

Existem pessoas muito especiais. E, pensando bem ,elas aparecem na altura certa...

 

Uma amiga que conheci muito recentemente falou-me de muita coisa que me deixou a pensar. Falou-me que todos temos uma predesposição nesta vida, mas que somos nós que tomamos as decisões e que são essas que vão nos levar ao bom ou ao mau caminho.

 

Ela foi uma luz na minha vida, e nunca a vou esquecer. Tal como ela, já tive outras luzes que tentaram me orientar para o melhor caminho, a estrada de volta a mim, ao que sou realmente. Só que eu, que andava e ando bastante perdida neste Mundo, não tive a sabedoria nem o tacto suficiente para os ouvir verdadeiramente e perceber o que me queriam dizer.

 

Sempre fui uma pessoa muito carente e muito egoísta. O egoismo talvez não tenha nascido comigo, mas eu, que tantas vezes me fechei em mim e desprezei o mundo, cultivei esse egoismo de tal forma que agora sou um ser do qual não gosto: egoista, mesquinha, sozinho, triste... A carência fez-me mendigar por amor, quando se desse valor ao que e a quem realmente importa, era coisa que não me faltaria nunca.

 

Não me considero má pessoa. Simplesmente perdi-me algures no caminho quando acreditei nos outros e na visão que estes tinham de mim. E como tudo na vida, tenho que sofrer as consequências. Talvez tenha perdido para sempre aqueles que realmente me amaram incondicionalmente, os que tantas vezes me tentaram abrir os olhos e eu não os ouvi realmente.

 

A verdade é que, mesmo sendo egoista como sou, sempre me preocupei e sempre pensei neles. Sempre me preocupou saber como estavam, o que lhes precoupava. Mas, fechada sobre mim, so eu importava e não soube me dedicar a ouvi-los e a tentar ajudá-los como fazia no passado.

 

Houve um grande amigo meu que teve problemas com drogas. Ele durante muito tempo foi o meu porto de abrigo. Passava o dia inteiro à espera da altura em que poderiamos falar sobre tudo. Os sonhos, os sonhadores... Lembro-me tão bem desses tempos.

Um dia ele desapareceu. Ele não sabe, mas, sabendo que ele tinha o problema que tinha, chorei tantas vezes desesperada por não ter uma notícia dele. Rezei para que ele estivesse bem, para que os meus medos fossem em vão. E mesmo quando alguém me disse coisas más a respeito dele, tentando me semear a dúvida sobre o seu carácter, eu não acreditei em nada. Eu conhecia-o bastante bem, e além disso a minha intuição sempre me disse que ele tinha bom coração, que era uma excelente pessoa, em quem poderia sempre confiar.

Passamos meses (ano(s)?) sem nos falar. Nunca me esqueci dele. E sempre que pensava na palavra "amigo" era ele um dos primeiros a aparecer-me no pensamento.

Voltamos a falar. Entretanto mudei. Para muito pior. Tornei-me descrente na vida, nas pessoas, no futuro, nos sonhos, e sobretudo em mim. Passei a odiar-me, a ter vergonha de mim, admito. Ele bem que tentou alertar-me, chamar-me à razão. Mas não adiantou. E afastei-o de mim. E penso que de vez.

 

*

Essa amiga que conheci recente falou-me de algo que já tinha ouvido falar, mas não dei muita importância: a lei da atracção. Disse-me que tudo o que enviamos para o universo, vem de volta para nós. Portanto, se pensamos coisas negativas, acontecem-nos coisas negativas ( e vice-versa) ou se nos vemos de certa forma o Mundo também nos vai ver.

Ela explicou-me que somos nós que temos que mostrar ao mundo quem somos e não o mundo que tem de nos dizer como devemos ser.

 

Esta última semana foi muito importante para mim, tal como a Alda foi. Abriu-me os olhos para muita coisa. Sei que já perdi muitos amigos e muita coisa por minha burrice, por minha culpa. Não posso voltar atrás. Mas posso e devo olhar para a frente.

A minha missão pessoal tornou-se clara para mim. Devo todos os dias cultivar o amor incondicional, o amor ao próximo. No fundo, fazer o bem e "matar" este egoismo que cresceu em mim desmesuradamente.

 

Deus nos criou para amarmos e sermos amados. Quem vê o Deus punidor, não vê Deus. Ele é amor e nós, como seus filhos, somos amor também.

Sempre soube, mas não quis dar importância. Mas as pessoas especiais são enviados de Deus para nos abrir os olhos. E a resposta para tudo está sempre dentro de nós, e não fora.

 

Por tudo isto, agradeço aos que foram e/ou são meus amigos hoje. Nunca me esqueci nem nunca esquecerei os verdadeiros. E peço desculpa pelo que fui. Mas não posso voltar atrás.

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 15:55
música: Making me better - Lullabye

13
Set 07



 

Afinal o destino trocou-me as voltas...Já não vou para a faculdade para onde iria incialmente. Mas já me matriculei em outra faculdade, onde tem um curso relativamente semelhante ao curso onde me havia matriculada, na tal outra escola.
Contudo, esta mudança não me preocupa. O que realmente me preocupa, como sempre, sou eu. Sou egoista, sim. Mas eu já sabia disso...
Este egoismo é, também, em parte, o motivo da minha preocupação. Porque este egoismo vem da convivência comigo mesma durante tanto tempo...a famosa solidão. Já à muito que me encontro fechada, isolada neste meu mundo. E tenho me dado bem aqui, com todas estas teorias, todos estes sonhos, fantasias, pensamentos, personagens, opiniões...com todo o meu ser! Agora tenho medo. Sim, tenho medo. Medo dos outros, da sociedade. Da praxe, das regras, destes outros mundos com que terei de lidar, ao entrar na faculdade. Já muitas vezes me desiludi com o "sistema", com as pessoas, a sociedade, que agora acho que...me desiludi por antecipação. Tenho medo de não saber lidar com as pessoas, tenho medo de me aproximar. Tipo uma criança selvagem, que viveu demasiado tempo fora da sociedade, que tem tanto medo de se aproximar, e ser magoada. Não sei como agir, e fico triste só de pensar que me podem voltar a ferir (quase, sempre quase) de morte. E eu então voltarei à depressão, voltarei a toda aquela obecessão pela morte, pela solução final. Serei eu paranóica por sentir este medo? Não sei... Mas acho que qualquer pessoa concorda comigo, acho que todos nós sabemos que o ser humano pode ser mesmo mau para com o próximo, magoá-lo, odiá-lo, sem razão aparente.
Será que conseguirei ser eu mesma? Será que os outros respeitarão quem eu sou, nesse caso? Será que me vou integrar?
Não sei...realmente não sei. A verdade é que eu tenho medo do desconhecido. E esta realidade que vou construindo, simulando na minha cabeça em relação à faculdade e a quem lá anda, é também baseada em realidades que já conheço, pelas quais já passei: rejeição, sentimento de inferioridade, incompreensão e dor.

Veremos. Que tenho a perder? Também não o posso evitar.
publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 03:11
sinto-me:
música: Quisiera Ser - Alejandro Sanz

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