"Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo... " Fernando Pessoa

08
Out 09

"Yesterday I got lost in circus..."


Todas estas verdades e mentiras confundem-me. Não sei o que quero mais, o que me faz mais falta. Por isso, cada vez mais aprecio as virgulas da vida. Sim, as paragens entre uma verdade e outra, uma mentira e um desgosto. Mas essas virgulas são tão vagas, como se lavassem o texto anterior da página, e nem mesmo se importassem com o que se segue. São meros separadores, livres de sentimentos, preconceitos, constrangimentos.

A verdadeira emoção reside em escrever, é certo. E dá-mos um suspiro de intervalo sem saber onde o recomeço vai nos levar. As possibilidades são tantas e tão variadas. E nessas possibilidades há também coisas negativas. Aí chega o medo. Pensar. O problema é pensar tanto. E se nos atirassemos nesse recomeço, tendo aprendido as lições do parágrafio anterior, mas sem receio do que possa vir a seguir? Ao que parece a felicidade é um vôo livre. Sem amarras, sem nada que nos prenda ou que nos restrinja para lá chegar. Um dia o vôo acaba. Mas o que é preferível? Não voar, mantermo-nos pelo seguro, e viver de virgulas? Ou voar por uns segundos e dar vida ao tal separador, tornando-o mais positivo?

Tudo muda. Há sempre mais uma palavra a escrever, até quando morremos - "Saudade". Já desesperei porque não me conformava com a mudança. Porque as pessoas mudavam, porque eu mudava. Desesperava porque só via as mudanças negativas. Mas até essas são necessárias, nem que seja para eliminarmos o que precisamos, ou para deixar cair as máscaras daqueles que desempenham um papel todos os dias, mas são outra coisa. Mudança faz parte. Mudar é bom. Não há melhor remédio contra o tédio.


Mudemos então. Renovemos, como as árvores se renovam a cada Outono.


Ponho um sorriso na cara e saio para a rua. Mãos frias, coração quente. E apesar de tudo que tenho pela frente, não posso deixar de me perguntar...


"Onde está você agora?"

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 21:40
música: Amos Lee - Colors & Caetano Veloso - Sozinho

25
Set 09

Com a música certa no sitio certo. o pensar não pára. Simplesmente está acompanhado por uma boa banda sonora, pelo vento que passa pelo nosso rosto, indiferente como sempre, e por uma paisagem convidativa.

Alguém disse uma vez que a nossa casa é onde o nosso coração está. Bom, talvez sim, talvez não. Por um lado o coração puxa-nos sempre na direcção daquilo pelo que bate. Mas pode bater por muitas portas, ruas, cidades, rostos ou até por outros corações. Por outro lado, a realidade nos chama sempre à razão. Ou pelo menos tenta, porque há quem não queira ouvir essa tal razão, e se guie por outras forças, ignorando regras, realidades, conveções. Quem é livre. Quem ama. Quem vive.

 

Apesar de muitas vezes dois corações não baterem na mesma direcção, apesar de tudo o que nos faz querer pertencer à solidão protectora das maleitas procovadas pelo ser humano e sua complexa teia, apesar de toda a dor e sofrimento...

...é sempre bom: ver um pôr do sol; ver a lua reflectida no rio (mesmo este sendo atravessado por centenas de pontes luminosas e rodeado de uma mais reluzente cidade - a lua sobressai sempre); sentir o vento passar por nós, tal como passa pelas folhas daquela árvore tão alta; ouvir aquela música que nos coloca um sorriso nos lábios ou "obriga" o nosso corpo a mexer-se ao seu ritmo; etc etc etc.

 

Porquê pensar tanto? Porque faz parte de nós pensar. É uma necessidade tal como respirar. É um amigo que só nos abandona quando morremos.

 

Sejamos como somos, sem culpas, sem ressentimentos, mágoas ou tantos outros incomodos. Sejamos eu, tu, ele, nós, eles. Sejamos singular ou plural. Não interessa. Nada interessa além de ser. Quanto ao resto, que nos sirva de consolo que nada dura para sempre. Aproveitemos cada momento como se fosse último, cada emoção como se fosse a primeira.

 

Jardim Japonês de Wroclaw

 

Jardim Japonês de Wroclaw

 

 

Adoro esta música ^_^

publicado por Quem ontem fui já hoje em mim não vive às 19:33
sinto-me: Zen
música: Jeito do Mato - Paula Fernandes

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